Hoje pude conhecer uma área de ocupação de sem terras, que ocuparam há 8 anos um latifúndio e se estabeleceram ali. Este lugar se chama pinheirinho, devido aos pinheiros que margeiam o “bairro”.
Conhecido na região como um bairro de pessoas pobres e envolvidas com criminalidade, explorado, ele se torna um grande tesouro politizado.
As casas não tem sistema de saneamento, o esgoto é pela fossa; a energia é a gato, as ruas são de terra e cheias de buraco; as casas de alvenaria, com uma pequena cerquinha de madeira; não há iluminação pública. Tudo isso são barreiras para o progresso, mas pelo que vi ali hoje, não representa nada para estes moradores.
Cheguei na Assembleia as 18h30, um grande galpão aberto cheio de moradores, senhoras e crianças. Alguns sentados nos cantos, outros encostados nas pilastras, mas todos mantiam um olhar fixo no líder que discursava. Surpreendentemente ele falava sobre a luta na Líbia, e todos, sejam algumas senhoras enroladas em cobertores ou crianças sentadas no chão, ouviam atentamente em silêncio as palavras.
Sem dúvida eles me ganharam, seja pela simpatia ou alegria de como receberam eu e meus colegas. A cada rosto que olhava encontrava um sorriso em resposta.